As vilãs sacolinhas plásticas
Atualmente, se as sacolas plásticas, são chamadas de “vilãs”, como a sociedade irá denominar as 471 mil toneladas de garrafas PET fabricadas em 2009, as 565 mil toneladas de embalagens flexíveis utilizadas em 2010 para acondicionar alimentos as 190 mil toneladas de embalagens longa vida produzidas em 2006? Todas recicláveis, mas com um mesmo destino.
No Brasil, se produz anualmente 84 milhões de toneladas de lixo doméstico, sendo que 25 milhões de toneladas são de alimentos desperdiçados. Só em 2006, foram descartadas 590 mil toneladas de papel higiênico e em 2009 foram utilizadas 330 mil toneladas de fraldas descartáveis. Porém, qual a forma mais prática e higiênica utilizada por toda a sociedade para embalar estes resíduos a fim de destiná-los corretamente? As sacolinhas reutilizáveis e recicláveis.
O atual paradigma regido pelo individualismo, não permite que o ato de reciclar seja simples. Se há um vilão nesta história, somos nós, consumidores sem consciência e sem educação, reis do desperdício e do mau uso, incapazes de valorizar o conforto que a industrialização nos proporciona e que está ameaçado.
Não há produto alternativo que apresente as mesmas qualidades da sacola plástica. Nem tão pouco há cidadão que não as reutilize para embalar resíduos após se beneficiar de sua forma prática de levar suas compras para casa. O descarte de forma inadequada no ambiente é que se constitui no real problema, não só das sacolas, mas dos resíduos em geral.
O desenvolvimento sustentável pode ser definido como uma balança na qual devem se manter equilibrados a eficiência econômica, a justiça social e a prudência ecológica. Infelizmente, o jargão “salve o planeta” para sustentar o banimento das “sacolinhas” faz parte do processo de adoção de um discurso ambiental genérico promovido por diferentes grupos sociais para legitimar práticas institucionais e políticas, em que a balança mostra-se desequilibrada. É leviano adotar tal jargão para um produto que representa apenas 0,12% do lixo urbano.
“Salve o planeta”, com muito mais propriedade, justificaríamos o encerramento das atividades da Petrobras (energia fóssil, lubrificantes, matéria-prima para plásticos, combustíveis e sua emissão CO2...). Outro absurdo gigantesco. Decretaríamos o retorno aos tempos da vovó e retrocesso em cem anos no nosso avanço da industrialização e locomoção.
A vilania das sacolinhas plásticas é propagada só por um motivo, o econômico. Das resinas componentes das embalagens acima citadas, todas estão na gôndola para serem comercializadas, com lucro. A única distribuída a preço de custo, sem lucro desejado, está na boca do caixa (as sacolinhas). Evidencia-se o objetivo econômico pelo fato de que se oferecidas a um preço conveniente ou substituídas por papel, caixa de papelão ou outros descartes, também poluentes, não se questiona mais o seu destino final. Justifique-se então o banimento das sacolinhas como estratégia comercial (que deve ser respeitada): "Não vamos mais fornecer sacolinhas porque queremos que paguem por elas!".
O meio ambiente não pode se proteger, porém, os cidadãos podem tomar consciência de seus atos e, por fim, defender a todos. Verifique se as “vilãs” sacolas plásticas não são, na verdade “inocentes” neste contexto. A solução passa necessariamente por educação, consciência, coleta seletiva, compostagem do lixo, reciclagem... Para isso, são necessários pesados investimentos, políticas corretas e vontade de fazer. Mas isto custa muito caro, exige muito esforço. Por enquanto, levianamente, vamos culpar as vilãs sacolinhas.


Nenhum comentário:
Postar um comentário